CME: Embalagem, Esterilização e Armazenagem

Para garantir a qualidade do processo de esterilização, são necessárias medidas que evitem a recontaminação do artigo após o processamento, seja no armazenamento, transporte ou durante a manipulação. Por esse motivo, torna-se necessário o conhecimento, pelos profissionais que atuam no centro de material e esterilização (CME), da diversidade de embalagens disponíveis no mercado e na utilização apropriada das mesmas, uma vez que, qualquer falha ocorrida no processamento dos artigos pode acarretar ônus ao paciente, à instituição e a à equipe multiprofissional, pois a qualidade do material distribuído, está diretamente relacionada com a qualidade da assistência prestada.

A autoclavagem é um tratamento térmico muito utilizado nos serviços de saúde para esterilização de materiais. Nesse processo o material contaminado (previamente lavado e embalado) é submetido a uma temperatura elevada durante um período de tempo suficiente para destruir todos os agentes patogênicos, por meio do contato com vapor de água sob pressão. O papel grau cirúrgico é o material mais usado nos CME’s para embalar os produtos a serem esterilizados. Tal embalagem desempenha um importante papel na corrente de proteção dos profissionais e pacientes.

Tipos de Embalagens para Esterilização de Materiais Hospitalares

Dependendo do tipo de uso, armazenagem e transporte, um artigo esterilizado deve ser embalado em uma ou mais camadas de embalagem: Pode ser embalagem primária, secundária e de transporte. A qualidade da esterilização do material embalado tem relação direta com a qualidade da autoclave que a equipe profissional utiliza no CME.

Papel Kraft

O uso do papel kraft como embalagem para esterilização é proibido pela Anvisa, segundo a RDC15/2002.

Além de apresentar inconstância na gramatura, microfuros, não suportar umidade e ter efeito memória, o material contém amido, corante e produtos tóxicos. Isso pode prejudicar a saúde dos profissionais que manuseiam o produto na hora da selagem do papel.

Portanto, o uso deste material na Central de Material e Esterilização (CME) deve ser descartado.

Brim (algodão)

Difundido ainda hoje em muitos hospitais, o uso do tecido de algodão para esterilização é visto como uma alternativa mais barata entre muitos compradores e enfermeiros. No entanto, é bom lembrar que devem ser colocados na ponta do lápis os gastos com a lavanderia (água, sabão, energia), além da mão de obra empregada no processo para poder reutilizá-lo. Afinal de contas, os funcionários poderiam dedicar este tempo para executar outras tarefas.

Vale lembrar também que o algodão não resiste à umidade e possui baixa barreira antimicrobiana (34%), aumentando o risco de infecções hospitalares. A cada nova lavagem, as fibras se desgastam, e o monitoramento de reutilizações pode ser complicado para o hospital.

Papel Crepado para esterilização

O papel crepado possui baixa resistência à tração, podendo furar ou rasgar com facilidade. O material possui efeito memória (pouco maleável), dificultando o manuseio e a abertura asséptica.

Não é compatível com Plasma de Peróxido de Hidrogênio.

Papel Grau Cirúrgico

O papel grau cirúrgico é o material mais usado nos CME’s para embalagem de produtos a esterilizar na autoclave, e um dos elos da corrente de proteção dos profissionais e pacientes. Normalmente apresentado em forma de rolo, é composto de uma lâmina plástica termo resistente e outra de SMS (spunbond-meltblown-spunbond) ambas fundidas lateralmente, onde se encontram indicadores químicos que mostram quando foi submetido ao calor e pressão de autoclave. 

Outros tipos de papel não são recomendados para embalar materiais a esterilizar em autoclaves sob calor, vapor e pressão. Mesmo o papel grau cirúrgico precisa ser autorizado pela ANVISA, pois há de ter porosidade controlada e seguir as normas oficiais de segurança e qualidade. Recomenda-se atenção no ato da aquisição do papel grau cirúrgico.

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Tecido SMS para esterilização

O SMS é um tecido-não-tecido 100% polipropileno. É considerado o material para esterilização mais completo, uma vez que possui alta barreira contra microrganismos, é compatível com todos os processos gasosos e a vapor e tem alta resistência contra rasgos e furos.

É maleável, repele líquidos e  permite a penetração do agente esterilizante.

O SMS também possui tempo de validade extenso, podendo a chegar até 6 meses dependendo das condições de armazenamento.

O material é composto por três camadas:
Spunbond: duas lâminas externas que garantem a resistência e durabilidade do material.
Meltblown: uma lâmina interna que forma uma barreira efetiva contra bactérias e líquidos.

ESTERILIZAÇÃO

Com o material limpo e embalado adequadamente, e todos os cuidados tomados, chega o momento de autoclavar.

O processo de autoclavagem consiste em manter o material contaminado em contato com um vapor de água sob pressão, em temperatura elevada, garantindo-se condições de alta temperatura (entre 105 e 150°C) por um período de tempo suficiente para matar todos os micro-organismos.

Os períodos de exposição para esterilização a vapor variam com o tamanho, formato, peso, densidade e composição do material do dispositivo a ser esterilizado, entre outros fatores.

Nesse processo o material contaminado (previamente lavado e embalado) é submetido a uma temperatura elevada durante um período de tempo suficiente para destruir todos os agentes patogênicos, por meio do contato com vapor de água sob pressão. O papel grau cirúrgico é o material mais usado nos CME’s para embalar os produtos a serem esterilizados. Tal embalagem desempenha um importante papel na corrente de proteção dos profissionais e pacientes.

ARMAZENAGEM

A armazenagem de produtos hospitalares requer atenção especial em qualquer lugar. O local para armazenagem segue critérios definidos pela ANVISA e sua Resolução RDC 15, de março de 2020.

Este tipo de material demanda cuidados específicos, e qualquer erro, por menor que possa parecer, pode acarretar em perda do material ou de sua utilidade.

Afinal, todo produto médico contém uma série de normas e cuidados e a armazenagem de materiais hospitalares deve ser feita de forma responsável.

Em relação ao prazo de validade, a ANVISA nessa resolução coloca como sendo a data limite de uso do produto esterilizado: prazo estabelecido em cada instituição, baseado em um plano de avaliação da integridade das embalagens, fundamentado na resistência das embalagens, eventos relacionados ao seu manuseio (estocagem em gavetas, empilhamento de pacotes, dobras das embalagens), condições de umidade e temperatura, segurança da selagem e rotatividade do estoque armazenado.

Isso facilita bastante, mas todos os cuidados devem ser tomados para garantir um bom acondicionamento, como:

  1. O transporte do CME até a sala de armazenagem deve ser feito em suportes adequados para a manipulação reduzir-se ao mínimo e o mais segura possível.
  2. As prateleiras devem ser feitas de material não poroso, resistente a limpezas úmidas e a produtos saneantes.
  3. Os nichos devem ser arejados, em local seco e com luminosidade controlada.
  4. O armazenamento deve privilegiar a leitura das etiquetas com datação e identidade das coleções esterilizadas.
  5. O material deve circular o mínimo possível até o local de armazenagem e deste até a sala de atendimento.

No Brasil as condições de armazenamento representam o maior desafio por causa das grandes diferenças de temperatura e umidade. A qualidade da esterilização do material embalado tem relação direta com a qualidade da autoclave que a equipe profissional utiliza no CME. O Investimento em biossegurança sempre tem alto retorno para médio e longo prazo.

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